A estatística não julga: os limites da litigância abusiva reversa
Prevenção e tecnologia são o caminho para condomínios mais seguros, sustentáveis, valorizados e agradáveis de morar
“Vocês, como síndicos, não são super-heróis, não têm a obrigação de saber tudo nem de evitar que os problemas aconteçam.” A frase, dita pela diretora comercial do Cerus, Sarah Lucena, deu o tom da palestra Condomínios do futuro: como prevenir riscos e proteger o patrimônio, apresentada na 2ª edição do CondoExpert Paraná.
O evento reuniu síndicos profissionais, moradores, administradoras, fornecedores e especialistas para discutir os desafios da gestão de empreendimentos residenciais e comerciais, com palestras e painéis sobre administração, inovação, convivência e tecnologia.
A apresentação também contou com a participação de Alan Lameira, síndico profissional, que destacou o papel do síndico em uma função cada vez mais ampla, que envolve decisões sobre finanças, segurança, manutenção, fornecedores, tecnologia e valorização patrimonial.
Clima extremo exige postura preventiva
Sarah lembrou que a Região Sul convive com eventos climáticos intensos, como chuvas torrenciais, vendavais e granizo, que surpreendem pela rapidez. Condomínios de Curitiba, Londrina, Maringá e São José dos Pinhais enfrentam esse cenário, que muitas vezes resulta em perdas financeiras significativas para os moradores.
Para a executiva, quem está à frente da gestão carrega responsabilidades em várias frentes. “Quem está à frente da gestão condominial carrega o peso de uma responsabilidade com pessoas, com processos, com a edificação, e ainda a responsabilidade jurídica. Como evitar que os problemas aconteçam? Com prevenção, se antecipando, tendo estratégias que facilitem o dia a dia”, afirmou.
Alan reforçou que o mercado mudou. Com temporais frequentes nos últimos três anos, e um ano especialmente chuvoso, a postura reativa já não é aceita. Ele alertou que pequenos descuidos, como a limpeza de calhas ou a verificação de manutenções, podem gerar grandes prejuízos, como infiltrações. Segundo ele, o síndico não precisa dominar todos os temas a fundo, mas deve ter noções de engenharia, finanças e administração para acompanhar fornecedores e equipes, sempre com um acompanhamento contínuo e preventivo.
Finanças em dia e transparência
Sarah apontou a inadimplência como uma das maiores dores do síndico. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da CNC e da Fecomércio PR, 88% das famílias paranaenses tinham algum tipo de dívida em agosto de 2026, ante 85,7% no mesmo mês de 2025. A parcela com contas em atraso passou de 12,4% para 18,5%. Os dados não são específicos de taxas condominiais, mas indicam um ambiente que exige mais previsibilidade e planejamento.
Nesse contexto, o Cerus apresentou soluções financeiras para condomínios, como a Receita Garantida e o crédito condominial, que buscam melhorar a previsibilidade, o fluxo de caixa e a segurança financeira, com cobrança humanizada. Segundo Sarah, o planejamento permite antecipar despesas, definir prioridades e evitar que gastos emergenciais resultem em cobranças extraordinárias.
A transparência, afirmou, completa o processo: quanto mais clara a gestão sobre despesas, contratos e decisões, maior a participação dos moradores e a confiança na administração.
“O condomínio do futuro já chegou”
Alan defendeu que a tecnologia, inclusive a inteligência artificial, já faz parte da realidade e deve ser incorporada aos condomínios. “Síndicos, vocês têm que se preparar para o condomínio do futuro, porque ele, na verdade, já chegou. Tem muita coisa que o pessoal espera para o futuro que a gente já tem agora”, disse. Ele citou como exemplo sistemas já usados por empresas e fabricantes que preveem falhas em equipamentos, como elevadores, antes que elas aconteçam, permitindo manutenção preventiva.
Para Sarah, esse é o caminho para um condomínio mais saudável, “onde as pessoas têm de fato prazer em morar”. Ela lembrou que, para muitas famílias, o imóvel é o único bem e passa de geração em geração. “Cuidar da segurança das pessoas, trazer previsibilidade e tranquilidade: eu acho que esse é o papel do síndico”, concluiu.
Quiz agita a plateia
Sarah convidou os participantes a responderem a um quiz sobre manutenção e prevenção, e a adesão foi muito boa. O primeiro colocado levou um Starlink Mini. As perguntas foram as seguintes: De quanto em quanto tempo os extintores devem passar por inspeção visual? Com que frequência os quadros elétricos devem ser inspecionados por um eletricista ou engenheiro eletricista? Com que frequência você confere o telhado (telhas, calhas, rufos e fixações)? A pintura e a revitalização da fachada devem ser feitas a cada quanto tempo? Em caso de danos causados por eventos climáticos, como o condomínio deve se preparar financeiramente para realizar os reparos emergenciais?
